Previsibilidade
Não existe amizade possível, com zero grau de interesse sexual, entre um homem e uma mulher - é o que cada novo dado me mostra. Quero dizer, mandando as generalizações às favas transgênicas: existe, sim. Mas é algo mais raro que um quasar e que exige a existência de um tipo de homem que, até hoje, não vi consolidado em ninguém além de mim mesmo.
Auto-importância? Orgulho? Não, longe disso. Só digo isso com essas palavras meio arrogantes porque não é muito bem de uma "qualidade" que estou falando. Talvez seja o contrário. Mas este meu aspecto, se não um adjetivo positivo, é uma característica funcional, ao menos.
Vai uma vasta e extra-dimensional diferença entre o "homem sensível" e o homem feminino. O "sensível" é um ogro alpha male como todos os outros, só que um ogro alpha male que não tem as ferramentas físicas, mentais e gut-related pra agir como tal, como no fundo ele gostaria. Uma vida de bloqueios familiares, afetivos e sociais impede que ele aja assim. Então ele se esforça e se camaleoniza em uma espécie de brinde à hipocrisia social e sexual, mas mais cedo ou mais tarde revela ser o que realmente é - e só faz isso, adivinhem, pelo mesmo motivo em que ele é um ogro não-realizado em primeiro lugar: fraqueza. Incapacidade de manter o papel na peça, já que é só um papel, e tolice em não prever que seu pseudo-zeitgeist é mais transparente que as águas do Aqueronte.
A sensibilidade na maioria dos homens é apenas o avesso do desejo não-realizado de ser um Conan ou um Fafhrd: auto-realização primal totalmente impossibilitada pelos já citados bloqueios (third)reichianos.
O homem feminino, por outro lado, é mesmo o oposto do homem "sensível": ele não "get along" com mulheres, ele sente como uma mulher, se entende melhor com elas do que com seus supostos pares cromossômicos (chaos magick e desejo em prol de um realinhamento morfo-genético?). É o processo oposto: como ele se permite ser um ogro quando o universo assim exige, um Gray Mouser, um Balder negro, ele se permite relaxar e transitar entre mulheres sem enxergar ali, inconscientemente, apenas uma fileira de bucetas não-relizadas, de colos remetentes a uma infância perdida e traduzida em action figures na estante.
Estou ficando velho, deliciosamente velho, e com uma paciência cada vez menor e micro-punk para meias palavras e hipocrisia social, com exceção daquelas que importam e se fazem necessárias para boiar no turbilhão sub-Jetsons em que vivemos neste estranho e abortado século XXI.
Entre o Arthur feito eunuco pela própria incompetência social, afetiva e ética e o Lancelot que se permite ser Guinevere por que, diabos, ele já é o Lancelot, vai uma impressionante e ainda assim quase imperceptível diferença. Um verdadeiro mar de Le Fays separa as duas costas.
E, com mil Mordreds, nenhum dos posts deste blog é tão sério quanto quer parecer. So, have fun. Afinal, a cola que superbondeia Lancelot e Guinevere é exatamente Merlin: mago, velho, homem-mulher, filho do demônio. Trickster.
Have fun, all of ya.
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