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Entrevista curta mas incrível com Andy Warhol, datada de 1964. Difícil culpar Warhola por suas respostas, digamos, curtas: as perguntas são algo bem tosco.
"Loire Estuary 2007" é uma mostra de arte contemporânea que está em cartaz literalmente nas ruas da França, se estendendo, como diz o nome, ao longo do Rio Loire, de Saint-Nazaire a Nantes e contando com 30 artistas de todo o mundo. Entre eles, Florentijn Hofman, que criou este sensacional patão de borracha no porto, com 26 x 20 x 32 metros.

Uma fantástica coleção de fotos de várias pessoas que posaram como modelos para quadros de Toulouse-Lautrec, incluindo Sarah Bernhardt.
Adorei o trabalho desse cara, um pintor americano chamado Ralph Goings. O cara está na ativa desde os anos 60 e segue a linha do fotorrealismo. Normalmente não gosto muito de fotorrealismo, mas ele se aproxima do mood fantástico do meu pintor favorito, Edward Hopper. Aquela metamorfose do prosaico em sublime, através de uma lindamente patética tentativa de imortalização do cotidiano. You know the deal. Enfim, chequem lá.


bengal é um ilustrador e designer bem legal e seu site, dentro do CafeSale.net tem imagens bem bacanas. Uma delas tá aí embaixo:

Aliás, muita gente - Warren Ellis, por exemplo e, se não me engano, Bruce Sterling - tem dito que o início do século XXI marca o fim da cultura como a conhecemos. Discordo radicalmente. Estamos cercado por coisas francamente boas. Uma lista rápida.
Cinema: os últimos filmes de David Lynch, Clint Eastwood, Tarantino, Sam Mendes, David Fincher, etc.
Quadrinhos: a volta de figuras como Bruce Jones e Ann Nocenti, os suspeitos de sempre (Morrison, Moore, Gaiman, Peter Milligan e Garth Ennis), a morte de Maggie na recente edição de Love & Rockets (talvez a melhor coisa já escrita e desenhada por Jaime Hernandez), etc
Música: a sensacional supremacia pop que atende pelo nome de Ladytron, Kinky, Sigur Rós, Felix da Housecat, The Herbaliser, The Rapture, etc. E ainda temos os veteranos: Björk, Iggy Pop, Mission of Burma, Beastie Boys, que continuam fazendo coisas ótimas.
Artes plásticas e fotografia: A cada meia-hora que perambulo a esmo pela Internet encontro pelo menos dois ou três sites com trabalhos de pessoas totalmente geniais, tanto em termos de estética quanto de técnica. Nem vou citar nomes, porque são inúmeras.
E ainda temos novas formas de arte, como os games. Apesar do que alguns ignorantes totalmente alheios à história da arte teimam em dizer (pior, com orgulho), games são uma poderosíssima forma de arte. Recentemente tivemos Broken Sword 3, GTA: Vice City, Red Dead Revolver, os jogos "políticos" divulgados por sites como o GameCritics.com, etc.
Literatura: Sem motivo para reclamar aqui também. Paul Auster, William Gibson, Neal Stephenson, Richard Kadrey, Alan Moore, Cory Doctorow, Dom DeLillo, todo esse pessoal continua produzindo coisas sensacionais.
Enfim, não vejo motivo para reclamarem. O que está ruindo - e isso é uma coisa boa - é o império da mídia reprodutiva, graças ao mundo digital. E não estou falando da pirataria, que é responsável por uma parte bem pequena dessa derrubada. Mas da mudança de frameset, de paradigma, provocada pela convivência com o mundo digital. Não é só quem baixa músicas do Soulseek que parou de comprar CDs (pelo contrário, acho que esses NÃO pararam), mas todo mundo que acessa a Internet. O formato analógico é totalmente obsoleto. E não falo isso para soar "moderno" (porque o digital deixou de ser moderno há uns dez anos), mas porque é o que está acontecendo. Arquivos digitais podem não ser tão bonitos quanto um CD, mas são mais práticos - e no fim das contas, têm a grande vantagem de chamar a atenção novamente para a música, não para o encarte feito por sei-lá-qual designer. DVDs e DiVXs são mais práticos que o VHS. E-books serão mais práticos que os livros e os quadrinhos impressos, assim que um leitor portátil decente de arquivos de texto se popularizar e baratear. Enfim, o mundo analógico ficou cansativo e não culpo as pessoas por buscarem a arte em outros formatos e veículos mais adequados.
Mas a boa arte continua sendo feita - e aos montes. Cadê a tal "morte"? Há aí um erro de visão. Estão vendo a morte no lado errado da história. O que está morrendo não é a arte, mas parte do público. Nunca, desde o século XVIII, tivemos uma audiência tão completamente imbecil e ignorante dos termos e funções básicas da arte. Nunca tantos filisteus ocuparam tanto espaço em tão pouco tempo. A arte não morreu. Se Britney Spears, Avril Lavigne, livros como Angus e outras coisas péssimas parecem onipresentes, é porque VOCÊ está consumindo isso. Os bons artistas continuam aí, como sempre estiveram e sempre vão estar.
A crescente fanfarra de bestas e lontras é que não está vendo. Não se tem produzido menos arte de qualidade. Se tem produzido menos pessoas de qualidade.
Fui com n-lo neste domingo no MNBA, ver a exposição da coleção das irmãs Eva e Ema Klabin. Pensei que fosse aquela típica coleção com alguns quadros impressionistas, mas - ledo engano. O acervo das irmãs é sensacional. Praticamente ítens de todos os estilos, épocas e lugares: vasos chineses, prataria inglesa, barroco brasileiro, mesas de xadrez, esboços de Rembrandt e Goya, telas de Renoir e Bruegel, artefatos gregos e egípcios, estátuas budistas, esculturas da Idade do Bronze, livros originais ilustrados por Picasso, manuscritos árabes. Enfim, um verdadeiro museu particular. Impressionante: parece que você está visitando outro planeta.
Curioso como algumas décadas se passarão e temos uma estirpe completamente diferente de milionários. Foram-se as bibliotecas, as grandes explorações, o mecenato, o amor pela arte e a joie de vivre; vieram o gosto vulgar pela mídia, pela publicidade barata e vazia e as viagens de compras a Miami. Você sai do Belas Artes após ver a exposição das Klabin como se tivesse acabado de descer de uma cápsula temporal, vindo de uma época onde as coisas eram mais belas, impressionantes e interessantes. Não sou nostálgico, mas uma alta classe de tal estirpe faz falta, numa épca em que o grande feito de Vera Loyola, por exemplo, é desfiar uma bolsa Louis Vuitton para mandar fazer um ridículo e inexistente sapato Louis Vuitton.
De que adianta dinheiro e atenção da mídia se a cultura e o amor à arte são inexistentes?
E visitem a Galeria de Arte Randômica, onde os quadros são gerados aleatoriamente pelo seu computador.
Após apreciar as obras, você pode votar se gostou ou não delas.
O mais bizarro é que o resultado, apesar de freak, se parece muito com aquelas quadros que adornam as paredes de algumas lojas do Bob's.
Aqui.
