145 Gramas - Capítulo 8

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Chego mesmo a pensar em girar a maçaneta, abrir a porta e pular do carro em movimento, mas isso seria inacreditavelmente estúpido. Fico mais tranquilo quando percebo que o carro está voltando, tomando a direção do meu prédio, após rodar a esmo por alguns quarteirões. “Mambo” me dá um estranho tapinha nas costas e fala:

- Felizmente, nem todo mundo da polícia simpatizava com Rigazzalli, sabe? Quer dizer, ninguém simpatizava com ele, simpatizava com o que ele significava, se é que você me entende. Eu mesmo não tinha nenhum problema com ele. Mas também não chegava a simpatizar. De qualquer forma, foi uma decisão incrivelmente estúpida do Ted. Bom, ele vai ter bastante tempo para refletir sobre o que fez e juntar os pedaços de sua vida, ah, ah, ah! Aaah...

- Oh, oh! - o motorista ri, parecendo um urso mecânico.

Finalmente, o carro pára em frente ao meu prédio. Giro a maçaneta e abro a porta. “Mambo” segura meu ombro e diz:

- Toma cuidado, hein? Esse bairro tá ficando perigoso. E o Natal é um ótimo motivo pra visitar parentes, seus pais lá em New Orleans ou algo assim.

- Meus pais estão mortos - digo, friamente.

Saio do carro e, quando já estou na calçada, “Mambo” mete a cabeça para fora da janela, enquanto o carro da polícia começa a andar. Ele grita, gargalhando:

- Isso quer dizer que você começou cedo, hein, “Mad”? Ah, ah!

Filho da puta. Não sei o que ele queria com isso tudo. Me assustar, claro. Mas acho que o perigo não vem dele, mas de outros policiais. Merda, eu já achava que vinha vingança da grossa por parte dos italianos, mas não tinha pensado nos caras que ele tinha no bolso, na folha de pagamento. Talvez seja a hora de ir embora de Nova York. Droga, eu não queria isso. E vou fazer o quê?

Bom, são quase meia-noite. Vou dormir e amanhã penso nisso. As cervejas já estão quentes, mesmo - e perdi a vontade de beber. Filho da puta do “Mambo”. Antes de subir, descubro uma parte da lona do Arbuckle, abro a porta da esquerda, estico o corpo para dentro e pego a automática no porta-luvas. Olho em volta e escondo a arma no bolso da jaqueta. Fecho o carro e subo as escadas.

A noite passa surpreendentemente tranquila. Nada de sonhos ou pesadelos, mas o sono propriamente dito não foi reconfortante. Sei que, com exceção do “Mambo”, ninguém sabe onde eu moro. E a maioria dos que sabem não têm a menor idéia da minha “profissão”. Mesmo assim, é difícil pregar o olho.

Quando abro, já é dia. Umas dez da manhã, pelo jeito. Dormi muito, mas tenho a impressão de ter acordado quinze minutos depois de ter ido deitar. É, tá na hora de fazer alguma coisa. Mas o quê? Depois de lavar o rosto, caminho até a cozinha e frito uns ovos com bacon. Me sento pra comer e finalmente provo um pouco das cervejas. Bom. Bom pra pôr as idéias em ordem. Normalmente não bebo de manhã, mas normalmente as manhãs também não são assim.

Estou lavando os pratos e dando o último gole naquela lata de cerveja quando escuto. Meu peito parece saltar até acima da cabeça: sirenes. Estão vindo pra cá. Sim, puta que pariu. Abaixo as persianas e olho pela fresta. As sirenes se aproximam. Mas, para minha surpresa, não são um ou dois carros da polícia que param na frente do prédio: é uma ambulância. O que está havendo?

Imediatamente, escuto vozes no corredor. Alguém sobe rapidamente as escadas. Vou até a porta e colo o ouvido na madeira. Escuto alguém dizendo:

- Onde? Onde é?

E então a voz inconfundível da Sra. Williams:

- Ali. No final do corredor. É no 201.

201? O que está havendo? Cinco minutos depois, uma balbúrdia de passos desce as escadas. Volto para a janela e vejo quatro enfermeiros saírem do edifício com uma maca. Forço a vista e vejo que é a mulher do 201. Mas ela... que posição estranha.

Na hora do almoço, quando saio para ir ao Nero’s, fico sabendo de tudo pela própria Sra. Williams. Aparentemente, o cara do 201 quebrou as duas pernas da esposa com um taco de beisebol. Nenhum vizinho quis prestar queixa. Ninguém viu ou ouviu nada. O tal cara foi encontrado inconsciente, bêbado, caído no sofá. A esposa disse que quebrou as pernas ao cair de uma escada dobrável, enquanto limpava o teto. Duvido que ela dê queixa. É quando eu me lembro: e o menino? O filho deles. Já estou saindo do prédio e então dou meia volta e pergunto pra Sra. Williams, que entrava em seu apartamento.

- Sra. Williams... e o menino?

- Menino?

- É, o do 201.

Ela me olha, curiosa.

- Está interessado, sr. Williams?

Fico sem graça e digo:

- Ele está no apartamento?

- Está. Entrei com os enfermeiros quando foram buscar a sra. Johnson - a sra. do 201, você sabe. Foi ela mesma quem ligou para a ambulância, mas esperou meia-hora, caída no chão, com dores horríveis nas duas pernas, até que o monstro do marido caísse de bêbado no sofá. Então se arrastou até o telefone e chamou o hospital. Detalhe que ela não ligou pro 911, ligou pro hospital. Ela não queria que a polícia viesse também. E duvido que vá prestar queixa.

- Sim, mas e o menino?

- Você não me deixa terminar. Pois então, quando entrei com os enfermeiros, o menino estava no seu quarto, deitado embaixo da cama, os olhos paralisados, como que em transe. Os braços dele estavam todos rôxos e acho que vi uma queimadura nas costas dele quando o tiramos de lá. Ele não quis vir pro meu apartamento e confesso que me espantei em como os enfermeiros não deram muita atenção ao caso. Eles são brancos, afinal.

- É... são brancos, mas também moram aqui, sra. Williams. - e com os braços mostro o corredor do prédio.

Ela balança a cabeça, concordando. E fala:

- É... alguns são brancos e outros são pretos, mas alguns brancos são mais brancos do que os outros brancos.

E então vai para seu apartamento. Eu entro no Arbuckle e em dez minutos estou passando pela porta do escritório do Ted. A porta da frente do prédio está com aquela faixa preta e amarela de interdição que a polícia usa. Na janela, vejo um policial de guarda lá dentro. Merda, não sobrou ninguém? E a secretária, Janice? Ela era mãe solteira, nem sabia muito bem em que o Ted estava metido. Coitada da mulher. Pouco depois, paro em frente ao Nero’s.

Nero me recebe muito bem, como sempre, mas percebo que fica mais ao longe, me olhando com ansiedade. Quando termino de comer meu chilli, ele vem até a mesa (dessa vez não fiquei no balcão) e se senta na cadeira oposta à minha.

- Muhammad, aquele cara veio aqui hoje de novo procurar você.

- Cara?... Que cara? O tal baixinho magrelo?

Nero faz que sim com a cabeça.

Eu penso por alguns segundos. Quem é esse cara? Não pode ser da quadrilha dos Rigazzalli, por causa das roupas. E nem é o “Mambo”. Ele é baixinho, mas não é magrelo e nem anda por aí com ternos brancos. E não iria me procurar aqui, não é o estilo dele.

Quem é esse cara?

Nero interrompe meus pensamentos:

- Muhammad, você tem parentes ou amigos fora de Nova York, que possa visitar para o Natal?

Me surpreendo com a pergunta. Antes que eu possa responder, ele completa:

- Se eu fosse você, dava um tempo fora da cidade. Um bom e longo tempo, sabe? Na casa de algum primo em New Orleans, um colega de trabalho no Texas, qualquer coisa. E nem pensa em ir pra Jersey. Jersey é perto demais.

Nero nunca havia falado assim, de forma tão... clara, antes. Mas sei o que ele quer. Ele quer o meu bem. Mas, porra, por que todo mundo acha que tenho parentes em New Orleans? Eu nunca pisei em New Orleans! Mas não é isso que chama minha atenção... É a parte sobre o “colega de trabalho do Texas”. Nero está chutando, claro, mas onde foi que ouvi algo parecido antes?...

Agradeço a Nero e me levanto. Para minha surpresa, não deixa que eu pague pelo almoço:

- Não, nada disso. Esse é por minha conta, Muhammad. Se cuide.

Quando estou passando pela porta do restaurante, ele grita:

- E me mande um cartão, mesmo que sem remetente ou endereço!

Bom e velho Nero. Taí, nunca pensei que fosse sentir falta desse cara.

Mas ele tá certo. Preciso cair fora daqui. O bando dos Rigazzalli; se bobear, a máfia russa; até mesmo o “Mambo” e agora esse tal baixinho magrelo de terno branco. Quem é esse filho da puta? Bom, o Nero não sabe onde eu moro. E, de qualquer forma, não falaria. E, também de qualquer forma, estou saltando fora agora mesmo. Dinheiro não vai ser problema por alguns meses. O Ted normalmente deposita a grana na minha conta mesmo antes de eu fazer o serviço, porque ele sempre confiou... peraí. A minha conta. O número com certeza está nos arquivos do Ted. Porra!

Faço um retorno com o Arbuckle e rumo pra casa do “Historinha”. Eu preciso sacar essa grana logo e fechar essa conta. Mas não sou maluco de ir ao banco, assim, com a minha pinta. A polícia pode estar de olho em todos os lugares que constam do arquivo do Ted. O “Historinha” é esperto e tem Internet. Eu odeio computadores.

Meia hora depois, tô batendo na porta dele. Ele me recebe, alegre e fanho como sempre.

Spike Lee
Spike Lee é Matt “Historinha” Smith V

- E aí, “Mad”? Bom, pelo menos já sei que as roupas e o cartão da tele funcionaram. - diz, com certa ironia. É quando olho em volta: seu apartamento está vazio, tomado por caixas de papelão. A única coisa fora da caixa é o computador, sobre uma mesa. Ele explica:

- É, cara. Tô indo nessa. Sabe, eu já sabia que a morte do figurão dos italianos ia dar em merda. Em meia hora o Paul “Pirulito” vai parar lá em baixo com o furgão dele e aí vai me dar uma carona até Boston. Nova vida por lá, cara. Já guardei tudo. Mas, como pode ver, deixei pra embalar meu G4 por último, porque eu sabia que você ia dar uma última passada aqui hoje. Pelo menos, era o que eu desconfiava. E acertei - como sempre.

“Historinha” é assim mesmo: meio metido a besta, mas o cara é um gênio. E logo percebeu que o caminho mais fácil para um preto geek é criar sua própria Nasdaq pessoal. O nerd e hacker que todos os criminosos adoram. Ele nasceu Matt Smith V (“quinto”). O “quinto” é porque é o quarto filho do senhor Matthew Smith, o “primeiro”. Um velho maluco, que deu o mesmo nome para os quatro filhos: o nome dele. “Historinha” era o quinto.

Em questão de segundos ele acessa a minha conta e transfere toda a grana (olha só, até que eu estou em melhor situação do que eu pensava) para uma segunda conta, sem registro nos arquivos do Ted. Depois, ele encerra a minha conta. OK, nada demais, mas com ele é bem mais rápido. E “Historinha”, claro, ainda vai mais longe. Ele explica:

- Olha só, já tomei umas providências. Sabia que, se você fosse esperto, ia zarpar fora dessa cidade. E é uma merda de cidade, se você pensar bem. Eu, por exemplo, finalmente vou tentar algo no MIT, lá em Boston. Claro, não vou poder abrir o jogo em relação ao meu currículo como um todo, eh, eh, mas vai ser do caralho, cara. Um dia desses você ainda me vê na TV, cara, tô te dizendo.

- É, mas corre daqui, se não quiser aparecer no noticiário policial - ou nos avisos funerários.

- Eh, eh, boa essa, cara! Mas tá tranquilo. “Historinha” é “Historinha” e tu sabe que comigo não tem vacilo. Já tá todo o esquema armado, real e virtualmente. Não tem o que dar errado. E já armei um quase esquema pra você, também. Sabe qual é, né, a gente sempre foi amigo. E eu sempre vou arranjar um jeito de dar uma força prum camarada preto filho da puta que nem eu. Então, saca só qual é: tu dá um tempo de uma semana por aí, mas sai de Nova York. Não tô nem falando da cidade, cara, sai do estado mesmo. Dá umas voltas pelas estradas, pega o - qual é o nome daquele teu Mustang? Knuckles?

- Arbuckle.

- Pega o Arbuckle e sai por aí redescobrindo a América, cara. Land of the bribe, home of the rapes. Dá uns giros, de bobeira, tipo um Neal Cassady preto, de mansinho. Aí, quando for mais ou menos daqui a uma semana (quer dizer, no mínimo mais; menos, não) tu vai lá pro Colorado e...

- Colorado?? Mas que...

- É, o Colorado, cara! Neve e o caralho. Coníferas, muitas coníferas. Tu vai se intoxicar de ar puro depois de respirar o peido de concreto aqui da Maçã. Vai viajar e o caralho com o ar. Mas então, tu chega no Colorado, nessa cidade aqui, ó:

E me passa um pequeno papel impresso com o endereço de uma caixa postal em uma cidadezinha no Colorado. Eu me espanto:

- “Pagosa Springs”? Condado de “Archuleta”? Que papo é esse, “Historinha”?

- Então, cara, Archuleta. É um pedaço de nada no sul do Colorado. Em uma semana, vai pra Archuleta, entra nessa biboca de cidade, Pagosa Springs, e aí vai nessa caixa postal que eu abri lá pela Internet com o teu nome e tudo. Eu uma semana, vai chegar lá a tua nova carteira de motorista, com teu novo nome e novo número de seguro social.

- Você tá maluco, “Historinha”.

- Pode ser, cara, mas pensa bem nisso. Você vai deixar de ser Muhammad Williams e vai virar Papa Williams. Nova vida; mesmo cara.

- “Papa”? “Papa”??

- Isso, cara. Tipo Papa Ghede, sabe o que eu tô falando? Vudu, “Mad”, Vudu. Nada de Muhammad. O monoteísmo é a religião do opressor, cara. Vá pelo politeísmo e siga o caminho do escorpião, o que pode dar errado?

- Tá bom, “Historinha”, vou pensar nisso, cara. Mas valeu por toda a ajuda e boa sorte, boa viagem!

Eu não aguentava mais aquela falação incessante. “Historinha” deveria ser rapper. Porra.

Mas é um cara legal e um bom amigo. Eu o ajudo a embalar o Mac dele e a descer tudo pro furgão do Paul “Pirulito”, que já estava lá na porta. O “Pirulito” é um cara muito estranho, branquelo judeu do Brooklyn que age como drag queen nos clubs caros à noite, mas sempre foi um cara gente fina e bom informante. Agora ele trabalha na Universal Airlines. Não tem porque ele sair de Nova York, a ligação dele com o Ted sempre foi muito periférica, mas é legal que esteja ajudando o “Historinha”.

Ver o furgão partir me dá uma sensação esquisita, de que vou ficar por último para apagar a luz. Bom, nada disso. Hoje à noite estou indo embora. Dinheiro bem guardado em uma nova conta, ninguém pra deixar pra trás, tudo tranquilo. Antes de voltar pra casa, paro em um posto de gasolina e encho o tanque do Arbuckle. Vou pra qualquer lugar e, daqui a uma semana, talvez até mesmo use a identidade arranjada pelo “Historinha”.

Archuleta. Pff.

Do posto rumo direto pra casa. São quase quatro horas. Entro no apartamento e em pouco mais de uma hora termino de embalar tudo. Não tenho muita coisa, porque nunca parei muito em lugar algum da cidade. Algumas roupas, a automática, documentos, cartão do banco, fotos dos meus pais, livros e revistas, meus CDs, essas coisas. A TV, a geladeira e os móveis são do apartamento, sem problema com isso. Depois cancelo o contrato de aluguel por carta ou procuração.

As quatro caixas de papelão e as duas malas cabem facilmente no banco de trás do Arbuckle. Quando levo a última caixa, a Sra. Williams aparece na porta do seu apartamento, no térreo.

- Indo viajar, sr. Williams?

- Err... sim, Sra. Williams. Florida. Vou passar o Natal na casa da minha irmã.

- Quem visse, ia dizer que está se mudando. Quanta caixa.

- É, eu... sou bem apegado às minhas coisas, sabe?

Subo as escadas de dois em dois degraus, rapidamente. Dou uma última olhada no apartamento. É, parece que não tem mais nada. Estou quase trancando a porta quando o telefone toca lá dentro. Hesito por um segundo ou dois, então resolvo atender. Talvez seja o “Historinha” ou alguém querendo me dar uma força.

É o que sempre digo: otimismo é uma merda. OK, prestem atenção agora, porque é quando tudo começa a ficar realmente estranho. Eu atendo o telefone e digo “alô?”. Uma voz do outro lado, uma voz de mulher, diz:

- É o sr. Williams? Sr. Muhammad Williams? Aqui é Myrtes. Myrtes Rigazzali - como ela tem meu telefone?? - Espero que esteja tudo bem com o senhor. Sr. Williams, preciso que venha me ver. Agora. Neste exato momento. Eu tenho um serviço para o senhor. Quero contratá-lo. E acho melhor que o senhor venha, porque, entende? - até agora a Polícia ainda não tem seu nome ou descrição. Mas terá, se não aparecer. Estou esperando o senhor. Ah, e obrigada: meu telefone está sem nenhuma linha cruzada agora, como o senhor pode perceber. Venha neste momento para cá. Tenho certeza de que vai gostar do trabalho.

E desliga.

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4 Comments

Anônimo Veneziano said:

Feio!
Posted by Anônimo Veneziano at 10:41 Saturday 4, 2004

infanta margarida said:

oiê!!! escrevi!!! tô adorando o seu conto!!! quanta tensão no ar!!!!!
Posted by infanta margarida at 10:41 Saturday 4, 2004

Alexandre Mandarino said:

Por quê feio?? ; )))
Posted by Alexandre Mandarino at 10:41 Saturday 4, 2004


Oi, dona Infanta Margarida!!!!!!
Posted by Alexandre Mandarino at 10:41 Saturday 4, 2004

Anônimo Veneziano said:

Porque vicia e interrompe o fornecimento! Hehehe...
Posted by Anônimo Veneziano at 10:42 Saturday 4, 2004

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This page contains a single entry by Alexandre Mandarino published on November 28, 2004 8:25 PM.

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