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Novo conto meu está no ar, no site da Intempol. É o "Fast-forward: Reward?", sobre uma viagem no tempo com consequências imprevistas. A Intempol, claro, é a burocrática e estranha polícia temporal criada por Octavio Aragão.
Outros contos meus podem ser lidos no site irmão deste blog, o Hyperpulp.
Após uma intensa maratona Tolkieniana e uma tentativa frustrada de ler pela primeira vez os contos de Robert E. Howard, estou adorando Bangcoq 8, de John Burdett, que comprei totalmente no escuro, por meros 10 reais, no camelô ali da saída do metrô da Carioca. O livro é sensacional, ágil e bem escrito, como os melhores trabalhos de gente como Steve Aylett e Paul Auster. Burdett é um advogado que mora em Bangcoq e escreveu em 2003 esse romance policial que remixa Blade Runner, Alan Parker, games, cyberpunk e best-seller inteligente (eles existem ainda, certo?) em uma trama ótima. E ainda fala de yaa baa, droga bizarra sobre a qual li há vários anos, na extinta revista Animal, e que me assombrou na época graças às visões de uma multidão de tailandeses voltando para casa de manhã como zumbis, sem reação. Brr. E agora Burdett me informa que já são (em 2003, claro) dois milhões o número de tailandeses viciados no treco. O yaa baa (ou yaba, mas sem dabadu) pode ser uma mistura de heroína e outros opiáceos, dando uma onda lenta e orgásmica; ou ainda um mix de metanfetamina, metais de baterias de carros e fertilizantes, o que gera uma viagem ultra-ligada, que parece deixar anfetaminas normais no chinelo. Em uma cena do livro, o personagem principal, um policial tailandês budista que encara tudo com toda a boa vontade que só o caminho do meio e a compreensão do carma propiciam, dança como uma puta louca sobre um queijo em uma boate pornô até às oito da manhã. Mas o yaa baa é só tangencial na história, que tem a sabedoria de saltar fora de qualquer pretensão gonzo. É uma trama policial e sociológica das melhores e se encontrar por aí, vale a pena (inclusive pagar mais de dez reais, por uma edição nova em livraria). Não sei mais muita coisa sobre o John Burdett, porque quero terminar esse livro analogicamente: sem procurar nada sobre ele no Google. É sensacional arriscar e ter uma boa surpresa. Ainda bem que sempre julgo um livro pela capa.
Ah, a tentativa de ler Robert E. Howard no original foi frustrada porque... o cara é chato. Eu simplesmente adoro alguns quadrinhos de Conan (principalmente os atuais, escritos e/ou adaptados por Kurt Busiek, que são verdadeiras obras-primas) e o personagem Solomon Kane, mas o estilo do Howard não funcionou. Talvez por eu ter saído de uma série de livros do Tolkien, que tem um estilo sensacional. Ou por eu teimar em comparar o pobre Howard com o Lord Dunsany, este sim genial no gênero fantasia. Ou talvez por preferir alta fantasia a sword & sorcery. Ou ainda (provavelmente, aliás) pela péssima tradução que a Conrad nos empurrou com esta edição brasileira. Só sei que ficou tudo meio ridículo, exageradamente pulp, meio cafona e pior: previsível. A narrativa se arrasta, os personagens são clichês e tudo se torna bem intragável. Com aquele clima que hoje em dia você só encontra em DVDs de velhos seriados de matinês. Às vezes funciona, mas no caso dessa coletânea do Howard, passou longe. Um dia tento no original ou quando outra editora lançar com alguma tradução mais profissional. Do jeito que está, fica exatamente como a maioria dos autores cyberpunks em suas edições nacionais ou figuras como, por exemplo, Don DeLillo: ilegível na tradução em português.
A não ser que, claro, Howard seja aquela porcaria mesmo, com um estilo previsível e bobo. Aí, só lamento. Fico no John Burdett mesmo.
De Vonnegut eu li apenas O Mundo Louco (estranhíssima FC) e os relatos de Dresden (até mesmo para poder escrever este conto de Jason Blood para o Hyperfan) e sempre admirei o sujeito. Como sincronicidade quântica pouca é incerteza, justamente hoje de manhã, em uma banca de jornais no quarteirão do meu trabalho, estava conferindo uma edição de bolso de Café-da-Manhã dos Campeões (Breakfast of Champions), que Vonnegut escreveu em 1973 e foi imediato best-seller. Chego em casa e descubro que ele faleceu exatamente hoje.
Todo mundo relevante tá indo, né? O restolho tem ficado. Uma pena.
O site dadaísta Ubu.com simplesmente disponibilizou para download os filmes cut-up de William Burroughs. Sensacional. Os filmes foram feitos por Burroughs de forma experimental entre 1963 e 1972, usando de maneira cinética sua famosa técnica de colagem.
Alguns anos atrás e você teria que arrumar drogas para algum amigo seu que fosse comissário de bordo e fosse amante de alguma secretária do acervo do Guggenheim para conseguir isso. Hoje tá aí, na Internet.
Alguns anos atrás e todo mundo iria querer ver isso. Hoje tá aí, na Internet.
Um brinde a William Burroughs, criador de termos como "heavy metal", "interzona" e "nova express"; e um brinde a Joan Burroughs.
Morre o autor polonês de FCStanislaw Lem, autor de clássicos do gênero, como Solaris.
Este site tem uma versão online e randômica, em JavaScript, do livro criado por Brian Eno nos anos 70, as Oblique Strategies. Usando seu approach caótico típico, Eno idealizou um misto de oráculo, koan e auto-ajuda. O livro original (e as diferentes três edições que o sucederam) continha frases em lâminas soltas, dispostas dentro de uma caixa. Ao sinal de alguma dúvida sobre como agir em relação a qualquer situação, o consultante deveria retirar uma das lâminas e agir de acordo com suas reflexões sobre a frase em questão.

E este vlog (video blog) tem uma entrevista exclusiva com Bruce Sterling, onde ele fala de tudo: furacões, meio ambiente e sapatos. Sterling parece uma versão domesticada de Johnny Cash.
Muito legal esse site. Pra quem tem preguiça de escolher o que vai ler (se é que isso existe).
Você é obra de que autor de ficção? Eu fui escrito pela Jane Austen (de todas as pessoas):
Results...: "
Jane Austen wrote you. You are extremely aware of
the power of a single word."
Eu não sabia que isso tava sendo feito:
Um longa de animação do Conan, baseado em um conto do Robert Howard, "Red Nails". Tem sujeitos legais envolvidos, como Mark Schultz e Michael Kaluta. Ao que parece, vai ser uma mistura de 2D e 3D e, se os primeiros test audiences derem certo, talvez role de passar nos cinemas. Caso contrário, vai direto pra DVD.
