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O novo álbum do LCD Soundsystem, Sound of Silver, só sai oficialmente no dia 12 de março, mas já está disponível nos torrents. Baixei e em breve comento por aqui. Enquanto isso, já rola o primeiro single do disco, North American Scum. O single tá vendendo muito bem e já tem clipe (aí embaixo) dirigido por Ben Dickinson, que já fez coisas para o Rapture, banda meio que irmã do LCD, também de disco-punk.
Muito legal o single, com as influências de sempre de pós-punk, especialmente The Fall e Gang of Four - e agora rola uma influência de Pixies nos vocais e guitarras, acredito. Vou fazer uma resenha propriamente dita, mas o álbum como um todo está muito bom. Aliás, o disco-punk (detesto o termo "new rave" e não vou usar) é um sopro de alívio em meio à mesmice da música eletrônica mais centrada no psy trance e em coisas dos anos 90 e à chatice pré-fabricada e "emo" da maioria do rock atual. Viva James Murphy e seu sistema de som de cristal líquido.
Um dos clips mais legais que eu já vi é esse do Mad Villain, "All Caps". O rapper usa imagens típicas de um quadrinho da Marvel dos anos 60, muito legal mesmo.
(Valeu pelo link, Remier).
Este site tem uma versão online e randômica, em JavaScript, do livro criado por Brian Eno nos anos 70, as Oblique Strategies. Usando seu approach caótico típico, Eno idealizou um misto de oráculo, koan e auto-ajuda. O livro original (e as diferentes três edições que o sucederam) continha frases em lâminas soltas, dispostas dentro de uma caixa. Ao sinal de alguma dúvida sobre como agir em relação a qualquer situação, o consultante deveria retirar uma das lâminas e agir de acordo com suas reflexões sobre a frase em questão.

confident with your back to the audience.
tremelo strings begin with your gesturing wrist.
start the orchestra slow with an elegant aire,
then a circular sweep crecendoing swell.
leo slatkin, dohnanyi, previne, depaur
your arms are calling out,
they wave like a swarm of sound.
you pull the sound from scores of notes,
you step the stage and take control.
you're conducting ver'ese in a moment of silence.
your body directs a pulse of wind.
von karajan, hampton, menuhin, levine
your arms are calling out,
they wave like a swarm of sound.
you pull the sound from scores of notes,
you step the stage and take control.
(The Faint, The Conductor)

Simplesmente GENIAL. Vão aqui agora mesmo e saibam a verdade sobre "DJs" idiotas como Tiesto, Ferry Corsten e Armin Van Buuren e porque o público playboy de trance está matando a cultura rave, transformando-a em um mero similar do rock farofa. Assino embaixo completamente do que dizem lá (e ainda é um quadrinho genialmente pop).
E, sim, ainda cita Bill Drummond, do KLF, e os geniais pranksters do Spiral Tribe, figuras que ao lado de nomes como Bobby Gillespie, Mark Moore, Happy Mondays, Tim Simenon, Carl Cox e tantos outros deram significância à cena rave entre 1988 e meados dos anos 90.
O cara ainda cita um comportamento pra lá de tosco que me incomodou muito assim que começou a rolar aqui no Brasil, no final dos anos 90/início dos anos 00: pessoas que ficam olhando o DJ, como se ele fosse uma banda de rock, ao invés de dançar (é uma festa, afinal, certo?). Tão olhando o quê?? O que tem de tão sensacional pra se ficar olhando em um DJ (se ele não é um turntablist como Q-Bert?). STOP THE SHEEP-WATCHING AND GO DANCE NOW! Não é um show, there's nothing to see there. Não tem porquê ficar de frente para o DJ parado: vão dançar, falar com alguém, circular. É uma festa, não um show! Não por acaso, esse comportamento "nossa, olha lá o DJ, vamos ficar olhando para ele e aplaudir" começou a rolar exatamente quando os playboys começaram a ir às raves (graças à ascensão do trance).
Chego a pensar se a transformação desses DJs manés de trance em mega-popstars não é uma tramóia das gravadoras para tornar a cena eletrônica menos faceless e mais vendável, com caras idolatradas (como as mesmas que arruinaram o rock, minando sua energia ao longo das décadas). Fuck the popstar. Afinal, every brother is a star, every sister is a star. Quem precisa de um ego sobre o palco? Em uma rave? Só pode ser uma armação: os DJs megastars de trance tiraram o conteúdo original das raves, mataram a festa e reinstituiram o culto à personalidade tão grato às gravadoras (afinal, produtos tem que ter rótulo e embalagem). Das festas "no logo" movidas a TAZ dos anos 80 e 90, as raves viraram um show de metal farofa. Valeu, Tiesto e manés congêneres ("maior DJ do mundo"? Tocando e produzindo o lixo que ele cria? Tá bom).
A todos os playboys equivocados que gostam de trance e vão a raves para ficar olhando para o DJ ao invés de dançar: eat shit and die!
O Superman.
O judge.
O Mom and Dad.
Mom and Dad.
Hi. I'm not home right now.
But if you want to leave a message, just start talking at the sound of the tone.
Hello? This is your Mother. Are you there? Are you coming home?
Hello? Is anybody home?
Well, you don't know me, but I know you.
And I've got a message to give to you.
Here come the planes.
So you better get ready.
Ready to go.
You can come as you are, but pay as you go.
Pay as you go.
And I said: OK. Who is this really?
And the voice said:
This is the hand, the hand that takes.
This is the hand, the hand that takes.
This is the hand, the hand that takes.
Here come the planes.
They're American planes. Made in America.
Smoking or non-smoking?
And the voice said:
Neither snow nor rain nor gloom of night shall stay these couriers
from the swift completion of their appointed rounds.
'Cause when love is gone, there's always justice.
And when justice is gone, there's always force.
And when force is gone, there's always Mom. Hi Mom!
So hold me, Mom, in your long arms.
So hold me, Mom, in your long arms.
In your automatic arms.
Your electronic arms.
In your arms.
So hold me, Mom, in your long arms.
Your petrochemical arms.
Your military arms.
In your electronic arms.
Laurie Anderson explica porque as pessoas, tontas, têm medo do anarquismo. A mais do que clássica O Superman, do álbum Big Science, de 1982. Vi Laurie ao vivo no Canecão, no Projeto Tucano Artes (que também trouxe o magnífico e querido The Fall), em 1989. Eu tinha dezenove anos e a mistura de performance, samples e sintetizadores da atual sra. Lou Reed foi bem impressionante (faltariam ainda uns dois ou três anos para que Anderson ficasse datada, o que inevitavelmente aconteceu com a chegada dos anos 90. Mas O Superman é impressionante.
Por falar em anarquismo, Pacha e seu brilhantismo usual me apontam a direção do anarco-taoísmo. How fucking cool is that? Anarco-taoísmo. É apenas genial.
"Welcome to the terrordome".
Neil Gaiman estréia como membro do staff da Wired, entrevistando Damon Albarn (Blur) e Jaime Hewlett (Tank Girl), onde eles falam sobre o novo disco dos Gorillaz (que é ótimo, aliás).
FODA.
Um dos melhores shows da minha vida. Pesado, dançante, sensacional. Para meia dúzia de gatos pingados.Parece que os manés chegaram todos tarde, para ver mesmo o Libertines (que, vou te falar, é ruim pra diabo). E, ao que parece, era mentira que tinham acabado os ingressos aqui. Acho até que sobraram muitos.
Som alto e até bem definido. Kevin Shields paradão num canto, shoegazer total. Mani alucinado e claramente feliz. E Bobby Gillespie, que é sensacional num palco.Ele pulava, se contorcia, ria de seus própios trejeitos Stones, perdia a voz, a recuperava. Foda. Praticamente o mesmo set list de São Paulo: maioria das músicas eram do Evil Heat e do XTRMNTR, com direito a uma versão sensacional de Accelerator, bateria eletrônica em Swastika Eyes e Kowalski, Movin On Up, cover de Kick Out The Jams no (único) bis (que, aliás, só rolou porque o pequeno público vaiou absurdamente a musiquinha do TIM Festival que entrava). Mas, no fim das contas, todo mundo chegou tarde só pra ver o Libertines. Fazer o quê? Melhor: só tava lá quem realmente gostava da banda.
No final da versão absurda de Kick Out the Jams, Bobbyzinho ainda joga o PEDESTAL do microfone para a platéia.
Um show fantástico e infelizmente curto (uma hora e quinze minutos), provavelmente porque o TIM Festival claramente armou essa noite pra ser dos Libertines (que, puta que pariu, são uma merda. Ê, bandinha ruim).
O mais engraçado foi ver uma meia dúzia de clubbers reclamando do Primal Scream: "Ai, tá pesado, ui". Bundões.
Showzaço, lá no alto da minha lista ao lado dos shows do Orbital, PiL, Jesus & Mary Chain, Kraftwerk e Siouxsie & The Banshees. Melhor banda do mundo.
Aliás, muita gente - Warren Ellis, por exemplo e, se não me engano, Bruce Sterling - tem dito que o início do século XXI marca o fim da cultura como a conhecemos. Discordo radicalmente. Estamos cercado por coisas francamente boas. Uma lista rápida.
Cinema: os últimos filmes de David Lynch, Clint Eastwood, Tarantino, Sam Mendes, David Fincher, etc.
Quadrinhos: a volta de figuras como Bruce Jones e Ann Nocenti, os suspeitos de sempre (Morrison, Moore, Gaiman, Peter Milligan e Garth Ennis), a morte de Maggie na recente edição de Love & Rockets (talvez a melhor coisa já escrita e desenhada por Jaime Hernandez), etc
Música: a sensacional supremacia pop que atende pelo nome de Ladytron, Kinky, Sigur Rós, Felix da Housecat, The Herbaliser, The Rapture, etc. E ainda temos os veteranos: Björk, Iggy Pop, Mission of Burma, Beastie Boys, que continuam fazendo coisas ótimas.
Artes plásticas e fotografia: A cada meia-hora que perambulo a esmo pela Internet encontro pelo menos dois ou três sites com trabalhos de pessoas totalmente geniais, tanto em termos de estética quanto de técnica. Nem vou citar nomes, porque são inúmeras.
E ainda temos novas formas de arte, como os games. Apesar do que alguns ignorantes totalmente alheios à história da arte teimam em dizer (pior, com orgulho), games são uma poderosíssima forma de arte. Recentemente tivemos Broken Sword 3, GTA: Vice City, Red Dead Revolver, os jogos "políticos" divulgados por sites como o GameCritics.com, etc.
Literatura: Sem motivo para reclamar aqui também. Paul Auster, William Gibson, Neal Stephenson, Richard Kadrey, Alan Moore, Cory Doctorow, Dom DeLillo, todo esse pessoal continua produzindo coisas sensacionais.
Enfim, não vejo motivo para reclamarem. O que está ruindo - e isso é uma coisa boa - é o império da mídia reprodutiva, graças ao mundo digital. E não estou falando da pirataria, que é responsável por uma parte bem pequena dessa derrubada. Mas da mudança de frameset, de paradigma, provocada pela convivência com o mundo digital. Não é só quem baixa músicas do Soulseek que parou de comprar CDs (pelo contrário, acho que esses NÃO pararam), mas todo mundo que acessa a Internet. O formato analógico é totalmente obsoleto. E não falo isso para soar "moderno" (porque o digital deixou de ser moderno há uns dez anos), mas porque é o que está acontecendo. Arquivos digitais podem não ser tão bonitos quanto um CD, mas são mais práticos - e no fim das contas, têm a grande vantagem de chamar a atenção novamente para a música, não para o encarte feito por sei-lá-qual designer. DVDs e DiVXs são mais práticos que o VHS. E-books serão mais práticos que os livros e os quadrinhos impressos, assim que um leitor portátil decente de arquivos de texto se popularizar e baratear. Enfim, o mundo analógico ficou cansativo e não culpo as pessoas por buscarem a arte em outros formatos e veículos mais adequados.
Mas a boa arte continua sendo feita - e aos montes. Cadê a tal "morte"? Há aí um erro de visão. Estão vendo a morte no lado errado da história. O que está morrendo não é a arte, mas parte do público. Nunca, desde o século XVIII, tivemos uma audiência tão completamente imbecil e ignorante dos termos e funções básicas da arte. Nunca tantos filisteus ocuparam tanto espaço em tão pouco tempo. A arte não morreu. Se Britney Spears, Avril Lavigne, livros como Angus e outras coisas péssimas parecem onipresentes, é porque VOCÊ está consumindo isso. Os bons artistas continuam aí, como sempre estiveram e sempre vão estar.
A crescente fanfarra de bestas e lontras é que não está vendo. Não se tem produzido menos arte de qualidade. Se tem produzido menos pessoas de qualidade.
