Recently in Pessoal Category
Novo conto meu está no ar, no site da Intempol. É o "Fast-forward: Reward?", sobre uma viagem no tempo com consequências imprevistas. A Intempol, claro, é a burocrática e estranha polícia temporal criada por Octavio Aragão.
Outros contos meus podem ser lidos no site irmão deste blog, o Hyperpulp.
Buenos Aires foi sensacional e essa semana começo a postar as fotos aqui – e a comentar sobre coisas da cidade.
Continuo enxugando e tentando aprimorar o Hypervoid e, por mais que o ritmo de atualizações tenha diminuído – principalmente em função do tempo tomado pelo trabalho -, os sites estão longe de estar abandonados. Algumas reduções aconteceram essa semana: o blog Arcadia, voltado para games, foi extinto e os posts sobre games continuarão a ser publicados aqui no Hypervoid. A idéia do Arcadia era manter um blog sério e crítico sobre games eletrônicos, nos moldes de sites como o GameCritics e o Joystick 101, mas era mais um blog para manter e quem tem tempo de manter mais de um ou dois hoje em dia? O Arcadia tinha ainda um objetivo pessoal, que era o de me ajudar a concatenar e fabricar idéias para meu projeto de mestrado sobre games, mas isso também passará a ser feito aqui no Hypervoid, na categoria games. Além dos games, claro, o Hyper continuará falando de cultura pop, principalmente música, quadrinhos, design e cinema, mas o approach será diferente (como, aliás, já vem acontecendo há alguns meses aqui). Ao invés de várias atualizações diárias com notícias e links, como nos primeiros tempos do blog, há uns bons cinco anos atrás (!), o site terá menos updates, mas com textos maiores. A quantidade de blogs explodiu e não há mais sentido em direcionar um site mantido por apenas uma pessoa para a área de notícias, não quando existem vários blogs de empresas de mídia, com equipes inteiras, realizando este serviço. A idéia continuará sendo falar de artefatos pop, mas não para trazer notícias e sim, na maior parte das vezes, para tentar realizar um debate crítico e, claro, particular, sobre estes temas.
Textos de ficção continuarão sendo postados no Hyperpulp, que agora também tem domínio próprio; atualizem seus bookmarks. O pulp está parado há muito tempo ], mas isso não significa que não tenho escrito mais. Muito pelo contrário: a paralização do site e o aparentemente eterno atraso do conto O Círculo de Ossos se devem ao fato de que estou escrevendo coisas que não serão postadas online, como meu primeiro romance. Torçam aí por mim. Mas novos contos aparecerão lá o quanto antes e, claro, os anteriores continuam no ar: falem para seus amigos que ainda não os leram (eh, eh).
McQueen, com microcontos calcados em imagens pop, continua sendo atualizado e acaba de ganhar uma parceira: McGraw, onde estou colocando minhas fotos (paralelamente ao Flickr).
Finalmente, o quinto site é o do Chip Totec, meu projeto de música que vem sendo produzido desde 1998 e que também ganhou domínio próprio. Duas novas músicas estão prontas e há a possibilidade de que uma delas saia em uma compilação por uma gravadora independente. Mais detalhes assim que algo concreto estiver confirmado. A banda também ganhou já há algum tempo o selinho de qualidade e aprovação do site Trama Virtual e está tendo suas músicas veiculadas nas estações de rádio do ótimo Last.FM. Além disso, fiz um upgrade no equipamento da banda (hardware e software, incluindo coisas legais como o programinha Torq, da M-Audio, um teclado Axiom 25 e uma interface de áudio/scrathing Conectiv; pelo setup já deu pra perceber que a idéia é voltar a fazer algo mais orientado para o hip hop instrumental e menos para o house/electro de até então). A idéia é preparar um novo live P.A. o quanto antes.
Enfim, os cinco sites continuam. Atualizações podem demorar, mas serão mais significativas do que apenas um amontoado de notinhas e links externos (nada contra, claro, mas já cumpriram sua função e estamos em outros tempos). A aparente paralização do Hypervoid e dos demais sites foi apenas uma impressão: continuo produzindo aqui no “mundo real”, muita coisa que ainda não encontrou a hora certa de ser divulgada online. Junte a isso o tempo tomado pelo trabalho no INPI e uma ausência voluntária e extremamente feliz dos sites “sociais” (ah) da web, que só tomam seu tempo (sim, estou parcialmente elton johneando).
Dito isso, volto a imergir em um período curto sem atualizações: estou saindo de férias amanhã e partindo para Buenos Aires, o que vai gerar uma nova seção aqui e no site de fotos, o McGraw: um travelogue. Não vejo a hora de testar minha linda Holga!
Ah, peguei os dois testes abaixo no blog da DaniCast, que continua servindo seus chás (agora ao som de Nine Inch Nails, pelo visto).
Aos 36, acho que devo gostar deste resultado:
| You Are 23 Years Old |
![]() 13-19: You are a teenager at heart. You question authority and are still trying to find your place in this world. 20-29: You are a twentysomething at heart. You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences. 30-39: You are a thirtysomething at heart. You've had a taste of success and true love, but you want more! 40+: You are a mature adult. You've been through most of the ups and downs of life already. Now you get to sit back and relax. |
| You Are 45% Left Brained, 55% Right Brained |
![]() Left brained people are good at communication and persuading others. If you're left brained, you are likely good at math and logic. Your left brain prefers dogs, reading, and quiet. The right side of your brain is all about creativity and flexibility. Daring and intuitive, right brained people see the world in their unique way. If you're right brained, you likely have a talent for creative writing and art. Your right brain prefers day dreaming, philosophy, and sports. |
Há quase um mês faleceu um dos meus grandes amigos - e só agora tive cabeça para pstar algo aqui. O Dida, que conheci no mesozóico ano de 1989, partiu para a última viagem viking após cinco anos de luta contra a AIDS no interior do Piauí, sua terra natal, para onde tinha voltado em 2001, após quase duas décadas de viagens aqui pelo sudeste cimeriano.
Fotógrafo talentoso e genial, leitor voraz de coisas legais, Dida foi uma das pessoas mais legais e inteligentes que conheci na noite do Rio. Várias vezes saímos juntos para ir a lugares como o Kitschenette, Dr. Smith, Basement, Gueto e outros. Me encontrava na Lapa e tirava uma foto com a máquina da vez, revelando-a ele mesmo com sua alquimia de laboratório e guardando-a na carteira para me entregar semanas depois, quando me encontrasse aleatoriamente. Me dando de presentes livros que ele carregava por aí, já que não via mais sentido em mantê-los depois que já os tivesse lido (foi assim que ganhei uma edição do sensacional Os Campos Perfumados, de Mohammad al-Nafzawi). Pulando ao som do jungle ou do punk nas pistas do Rio, animado e bêbado. Criando sozinho e por iniciativa própria uma biblioteca na Fundação Leão XIII, quando teve que morar ali por longos meses.
Lembro com especial carinho das inúmeras noites de bebedeira na Lapa, em Botafogo, no Baixo Gávea e em Copacabana, quando o Dida sempre tinha algo inteligente e engraçado para dizer e observar. E, especialmente, da madrugada em que, saindo da Dr. Smith com três amigas, andamos de skate imaginário naquele bowling da praça em frente ao Rio Sul, escorregando de costas e com a bunda no concreto, até que um notívago segurança nos interrompesse, com as bizarras palavras "só pode andar de skate com skate aí".
Se as pessoas legais devem partir e abrir espaço par que fique aqui esse mar de poseurs, só nos resta rir da nossa situação. Mas 2012 vem aí.
Um abraço apertado e um beijo, Dida. Você vai fazer falta, cara. Não cai desse skate imaginário agora.

Dida, ao lado de Valéria e Angélica. Eu não tava aí nesse dia, mas fica a foto. Uma foto, seu artefato favorito.
Conhecido como o Dia da Mentira ou Dia dos Tolos ("April Fools"), o Primeiro de Abril tem uma origem obscura. A teoria mais aceita garante que o significado da data surgiu em 1582, quando a França adotou o calendário gregoriano, que mudou o Dia de Ano Novo para o início de janeiro (era no final de março).
Reza a lenda que algumas pessoas, por ignorância, teimosia ou ambos, continuaram a celebrar o Ano Novo no Primeiro de Abril, fazendo papel de tolas. Isso teria se tornado uma tradição anual e supostamente se espraiado por toda a Europa. Mas essa teoria não leva em consideração que registros de épocas mais antigas já davam conta de tolices sistematicamente praticadas neste período ao longo de toda a Antiguidade. Os romanos, por exemplo, celebravam um festival a 25 de março chamado Hilária, marcando a ocasião com mascaradas e "boas tolices em geral". Holi, o festival hindu das cores, acontecia no início de março e era pautado pela "frouxidão das amarras sociais".
O mais provável é que as pessoas simplesmente ficassem alegres e "bobas" graças a uma ocasião mais singela: a chegada da primavera.
Eu sei, porque estou alegre e bobo, por vários motivos. O principal deles foi um acontecimento que marcou este Primeiro de Abril para mim - e a companhia maravilhosa que estava comigo. Spring has many faces.
Fool yourselves, all of you.
Após os cinco anos que com certeza foram os piores anos da minha vida (quase cinco anos de desemprego e de freelas estúpidos que pagam pouco); indefinição profissional; namoros conturbados; a morte do meu pai; sumiço de amigos (com alguns deles se revelando perfeitos escrotos interesseiros), finalmente parece que as coisas estão se revertendo. Nada de concreto aconteceu ainda no plano profissional, mas tenho pela primeira vez a sensação de que, sim, caralho, vai acontecer. No plano pessoal, por outro lado, tudo aconteceu. Nas últimas semanas uma das pessoas mais importantes da minha vida apareceu quase que do nada, totalmente de surpresa, mudando tudo. Tudo. A mulher dos seus sonhos não aparece impunemente, you know.
Me sinto como uma cobra mudando de pele. Acabo de ter minha segunda epifania MDMA, desta vez acompanhado. Desfiz pseudo-sigilos e coisinhas escrotas que estavam atrapalhando a minha vida. E, finalmente, parei de dar atenção a situações e condições que não levam a nada, comezinhas que são. No processo, me desliguei de todas as listas de discussão que assinava na Internet, inclusive da minha própria lista (eh, eh, sim , isso é bizarro; ela deixa de se chamar hypervoid e passa a se chamar snoid, em homenagem ao clássico e querido personagem criado pelo Crumb. Quero mais Es, mais Pacha, mais plano físico e xamânico e menos Internet, menos Li(f)e e menos manés.
If They Move, Kill' Em.
Ah, e parei de fumar, pondo fim a um hábito de quase 17 anos. O preço das cascas de pele de nicotina que caíram nesta mudança foi uma sucessão de chiliques e vacilos abstêmicos de dar medo a Christiane F, lançados injustamente sobre quem menos merecia (sorry, baby). Parece que não há expurgo sem erupção.
Os restos da pele antiga caem pelo caminho, descascados, multicores, como algas em pó. Eles compõem o pavimento para a ressurreição de Ch(X)ip(e) Totec(hno), são os degraus para a e-pifania prometida e já reservada pelos deuses. Cai a pele velha e carcomida, fica o brilho translúcido e leitoso, prestes a ser resguardado pela fusão inca-asteca.
Intergalactic, planetary, planetary, intergalactic.
Às vezes penso em transformar este Glob num glob fechado, não disponível para o público. Dentro dessa redoma blasé, o Glob viraria um mix entre um grimoire e um livro de sonhos molhados, elo perdido entre o sexo inca e a saudade soda cáustica.
Tssssss.
Mas não seria justo com os sete leitores que ainda acompanham essa trajetória trôpega de malabares gráficos, então só digo isso: desci para comprar chicletes agora por volta da meia-noite, já que os magníficos Trident sem açúcar são o pilar da minha abstinência tabagista deste mais de um mês sem fumar (sim, parei, após dezesseis anos de escravidão á Phillip Morris, à Souza Cruz e à estética naif do Zippo/John Constantine/Marlene Dietrich/Phillip Marlowe). Enquanto eu andava pelo meu derrubado bairro no início da madrugada, senti a cidade falando comigo. Não, cala a boca. É sério. Me senti "parte" dela.
Olhei para o céu e a Lua não estava em lugar algum. Que Hécate a guarde bem essa noite.
(E toca Planet Earth, Duran Duran, enquanto escrevo isso. Can you hear me nooooooooooww? This is planet Earth).


